A Saga Da Gillette Company · Edição Brasileira · Nº 01
Ordens
“A primeira comissão de cópia da Gillette. Muito antes do papel, muito antes da tinta.”
Toda manhã aquele maldito vizinho tinha o mesmo problema. Tinha sujado de gordura o próprio couro enquanto comia e não tinha como limpá-lo — o pessoal dos detergentes ainda não havia chegado ao mercado, e a palafita vivia do que tinha.
Ele tinha um compromisso de cortejo. A moça primitiva do segundo lote o esperava, junto com a mãe e a tia, e ele precisava se apresentar sem um único defeito.
O problema permanecia. Como resolvê-lo?
Apareceu um comerciante nativo do Canadá. Trazia sua primeira comissão de cópia, escrita na língua cree, e percebeu na hora que ninguém jamais havia resolvido essa questão de manter o couro limpo — e que um mercado havia nascido dessa lacuna.
Foi então que veio a ideia.
Se você não consegue limpar, corte fora a parte danificada. Use uma lâmina.
Esse é o momento em que nasceu a comissão de cópia da Gillette — aquela que, muitos anos depois, seria usada no mercado americano em meados do século XIX.
Mas o sistema nunca mudou: se você não consegue limpar, melhor cortar. E daquele momento em diante, nunca mais parou.
Ferdinando