A SAGA THE GILLETTE COMPANY · Edição brasileira · N.º 20
A memória inesquecível Gillette
Ninguém sabia o que eu era capaz de construir.
Não sou engenheiro. Nem arquiteto. Nem construtor. Quando muito, sou apenas um maçom — um aprendiz com fome de aprender aos 61.
Quando vocês começarem a ler esta saga, lá pela metade, a maioria vai pensar que ela fala da Gillette. De uma carreira. Talvez até que seja a autobiografia de um ex-gerente.
Vão estar enganados.
Quem lê só vai enxergar a superfície.
Esta saga não é sobre lâminas.
Não fala de corporações.
Não é sobre gestão.
Não é nem mesmo sobre sucesso.
É sobre a memória.
Porque tudo o que vemos está destinado a desaparecer.
As empresas mudam.
Os mercados mudam.
As tecnologias mudam.
As pessoas envelhecem.
As casas se esvaziam.
As fotografias desbotam.
Os documentos são esquecidos.
Até os nomes viram pó.
A memória é a única coisa que continua lutando.
Todo livro escrito contra o esquecimento é um ato de resistência.
Toda memória preservada é uma vitória contra o tempo.
Toda história contada é uma declaração simples:
“Isto existiu.”
É por isso que nasceu A SAGA THE GILLETTE COMPANY.
Não para vender.
Não para convencer.
Não para conquistar um mercado.
Mas para impedir que pessoas, lugares, relações e saberes sumam sem deixar rastro.
Um dia, ninguém vai se lembrar dos rankings.
Ninguém vai se lembrar dos algoritmos.
Ninguém vai se lembrar de quantos visitantes vinham por mês.
Quase todos os números estarão mortos.
Mas uma memória autêntica ainda pode atravessar gerações.
Talvez um neto.
Talvez um desconhecido.
Talvez alguém que ainda não nasceu.
Vão abrir uma página.
Ler uma frase.
E descobrir que alguém, muito tempo antes, decidiu deixar uma marca.
Não um monumento.
Não um império.
Não uma estátua.
Uma memória.
Porque os seres humanos não sobrevivem pelo poder.
Sobrevivem pelas histórias.
E as histórias só sobrevivem quando alguém decide guardá-las.
É por isso que este rei não tem trono.
Nem exército.
Nem reino.
Seu território é a memória.
Suas fronteiras são as lembranças.
Suas cidades são as histórias.
Seus cidadãos são todas as pessoas que se recusam a ser esquecidas.
No fim da saga Gillette, não resta homem algum.
Não resta marca alguma.
Nem mesmo um sobrenome.
Resta apenas uma pergunta:
O que vale a pena preservar quando todo o resto desaparece?
A saga inteira existe para responder a essa pergunta.
Uma página de cada vez.
Uma vida de cada vez.
Uma memória de cada vez.
REI DA MEMÓRIA
Porque tudo passa. A memória fica.
Ferdinando
