A SAGA L’ORÉAL BRASILEIRA · Edição Brasileira · Nº 05
SEM FOME, SÓ FAMA
A manhã inteira tinha passado trabalhando, e o que mais me surpreendeu foram os silêncios de Giorgio — ele observava muito de perto essa versão de mim, descobrindo que não me conhecia de verdade.
Rita, a compradora, chegou ao restaurante de moto, quase ao mesmo tempo que a gente. Ela tirou o capacete e deixou os longos cabelos soltos, como quem diz: acabei de sair do cabeleireiro, vamos ver se você gosta.
Giorgio começou a sorrir e disse: droga, eu sabia que ela ia se produzir toda por você, seu sortudo desgraçado.
Do que você está falando, você está louco, eu disse, tentando acalmar as coisas, e entramos, onde ela escolheu uma mesa no canto — reservada, mas não redonda, propositalmente retangular — e me pediu para sentar ao lado dela.
Vamos deixar de formalidades, ela disse, acho que temos mais ou menos a mesma idade — por mim tudo bem, mas não vou te perguntar a sua idade de verdade para constar na prefeitura de Catânia, isso é coisa para o pessoal sentado na outra mesa.
Ela caiu na gargalhada, depois perguntou se eu era ator de teatro. De certo modo, sim, eu disse — mas o meu palco é a rua.
O que você faz da vida? O feiticeiro, obviamente — que pergunta! Ha ha ha ha ha ha.
Bom, vou te dizer o que realmente faço: ensino os homens a se tornarem atraentes e interessantes, para que possam encontrar mulheres inteligentes — como você — e, se acontecer, fazê-las se apaixonar.
Belo começo — e como você chamaria esse trabalho?
Sou um padre sem batina, mas com voz.
Giorgio assumiu a conversa e disse o que tinha combinado com a matriz dele, e eu parei de brincar.
Ninguém falou de negócios ou de vendas naquele dia, mas entendi uma coisa: um homem vale só o que vale a mãe que o fez.
Ferdinando
Gillette Man ⚔️