A SAGA DO FORASTEIRO · Edição Brasileira · Nº 06
LOUCURA LÚCIDA — VISÃO
Existe um território que poucos reconhecem.
Fica entre o caos e a clareza.
Entre a ferida e a compreensão.
Entre o colapso e o renascimento.
Eu o chamo de loucura lúcida.
Ali, as conexões se tornam visíveis.
As máscaras caem.
Os detalhes começam a falar.
É difícil de explicar.
Quem nunca a experimentou a confunde com confusão.
Na verdade, é o oposto.
É excesso de clareza.
Realidade demais observada de uma só vez.
Quem vive na loucura lúcida não está perdido.
Está apenas atravessando lugares aonde os outros ainda não chegaram.
Certa vez visitamos um cliente que nunca pagava em dia.
Seus atrasos o devolviam constantemente à lista de contas vencidas.
Até o gerente de crédito se envolveu.
Vinha de Milão.
Mais analítico.
Mais racional.
Menos emotivo.
Mesmo assim, o cliente não escutava.
O tempo passou.
Um dia voltei a encontrá-lo.
Eu disse: “Parabéns. Seu nome não está mais na lista de inadimplentes. Você finalmente se tornou como todo mundo.”
Ele olhou para mim.
Sorriu.
E respondeu: “Meu caro amigo, olhe de novo. Se você não me viu, isso não significa que eu não esteja lá.”
Naquele instante compreendi uma coisa.
A loucura lúcida não é ver o que não existe.
É ver o que existe enquanto todos os outros olham para outro lugar.
Ferdinando
Gillette Man ⚔️