A SAGA DOS QUARTOS DA MENTE · Edição Brasileira · Nº 01
INSTINTO — DIREÇÃO
Sempre que o momento chegava, eu me via diante de uma encruzilhada.
A mente permanecia em silêncio.
Nenhuma lógica.
Nenhum cálculo.
Nenhuma estratégia.
Apenas o corpo.
Uma leve inclinação para a esquerda.
Como uma folha que segue o vento sem saber onde vai pousar.
Aprendi que o instinto vem de uma região antiga.
Mais antiga que as palavras.
Mais antiga que os medos que aprendemos a carregar.
Ele já estava ali.
Antes da escola.
Antes da educação.
Antes do caráter.
O instinto é o primeiro habitante da nossa casa.
Aquele que continua pagando o aluguel mesmo quando esquecemos que existe.
Ele não fala.
Ele aponta.
Ele não explica.
Ele acompanha.
Muitas das decisões que mudaram minha vida nasceram assim.
Sem provas.
Sem garantias.
Sem testemunhas.
Uma sensação.
Nada mais.
E, no entanto, olhando para trás, percebo que era o bastante.
Porque o instinto não conhece o futuro.
Ele conhece a nossa verdade — a verdade que a razão pode levar anos tentando alcançar, enquanto o corpo já a sabia.
E quando o escutamos de verdade, deixamos de perguntar aonde leva o caminho.
Começamos a caminhar.
O problema não é quando o instinto se engana.
O problema é quando fingimos que nunca o ouvimos.
Porque então passamos a procurar outra pessoa para carregar nossas responsabilidades.
Um pai.
Um professor.
Um chefe.
Um governo.
Um destino.
Se nos recusamos a escutar o que já sabemos, sempre encontraremos outro a quem culpar.
É a humanidade.
Quase sempre disposta a trair a si mesma em vez de tomar uma decisão.
Ferdinando
Gillette Man ⚔️