LOUCURA — EXCESSO

A SAGA DOS QUARTOS DA MENTE · Edição Brasileira  ·  Nº 05

LOUCURA — EXCESSO


Me chamaram de louco.

Mais de uma vez.

Às vezes porque eu pensava demais.

Às vezes porque eu sentia demais.

E às vezes simplesmente porque eu via as coisas de um ângulo diferente.

Com o tempo percebi que a loucura é, muitas vezes, o rótulo que damos àquilo que não conseguimos classificar.

No entanto, existe uma espécie de loucura que nasce do excesso de sensibilidade.

Do excesso de perguntas.

Da incapacidade de aceitar superfícies sem profundidade.

A loucura é um cômodo onde o pensamento corre mais depressa que a linguagem.

Onde as emoções chegam todas de uma vez.

Onde o coração não consegue fechar as portas.

Quem passa por ela nunca sai igual.

Porque viu alguma coisa.

E o que foi visto não pode deixar de ser visto.

Muitos acreditam que a loucura seja o oposto da inteligência.

Não estou convencido.

Às vezes são parentes próximos.

Às vezes a loucura é a inteligência chegando ao seu limite final.

O ponto em que já não pode ser contida.

Onde enxerga conexões demais.

Significados demais.

Realidade demais ao mesmo tempo.

E, quando isso acontece, a linguagem já não basta.

Resta apenas o gesto — ou o silêncio — como um tradutor imperfeito.


Ferdinando
Gillette Man ⚔️

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