A SAGA WILKINSON SWORD · Edição Brasileira · Nº 09
A DAMA E A NARRATIVA
Eu estava prestes a me despedir e ir embora quando, com um último bater da cauda, ela me deteve.
— Você vai mesmo me deixar assim?
Quando vou te ver de novo?
Fique e converse comigo.
Você não vai se arrepender.
Palavra de Maggy.
Meu plano de férias era simples.
Dois dias.
Na noite seguinte eu deveria voar de volta para a Itália.
Mas uma idosa dama aristocrática chamava de Londres, e eu, um calabrês de sangue mestiço, não podia fingir que não a ouvia.
— Quanto tempo você gostaria que eu lhe dedicasse?
Os olhos dela se arregalaram.
Por um instante pareceu que não me tinha ouvido direito.
Como se tivesse entendido mal.
Mas não.
Era eu mesmo falando.
E ela, uma inglesa armada de experiência e abençoada com absoluta clareza de pensamento, reconheceu imediatamente a oportunidade.
Sorrindo, respondeu: — A vida inteira.
Sempre que uma mulher, em qualquer parte do mundo, diz: — Você não vai se arrepender, significa que ela já tem uma ou mais surpresas à sua espera.
Foi algo que aprendi ao longo da vida, dentro das minhas experiências multiculturais.
As mulheres que conheci nunca foram um número.
Eram simplesmente a origem do mundo ao qual eu pertencia.
Eu voltaria ao meu hotel e comunicaria meus novos planos de partida.
Eu lhe daria cinco dias.
Era o mínimo que eu podia oferecer.
Antes de me deixar ir, porém, ela me deteve mais uma vez e disse: — A mulher que você hoje chama de Mãe é minha amiga.
Lutamos na mesma guerra.
O destino acabou nos levando por caminhos diferentes, mas nenhuma de nós jamais se permitiu esquecer.
O respeito permaneceu real.
O respeito permaneceu mútuo.
Então ela me olhou com a calma certeza de quem já tinha vivido várias vidas e, baixinho, pronunciou as palavras que mudaram tudo: — Bem-vindo, sobrinho.
Ferdinando
Gillette Man ⚔️