A PAUSA REVELADORA

A SAGA WILKINSON SWORD · Edição Brasileira  ·  Nº 12

A PAUSA REVELADORA


O dia seguinte foi de completa liberdade.

Nenhum compromisso.

Nenhuma agenda.

Nenhum motorista.

Nenhuma cerimônia.

Caminhei por Piccadilly Circus, e meus olhos sempre pendiam na mesma direção.

Soho.

Quando eu era mais jovem, fui acolhido naqueles lugares.

Não apenas como cliente.

Também como observador.

Um hóspede bem-vindo.

Abertamente bem-vindo.

Com o passar dos anos, aprendi que as fraquezas não devem ser escondidas.

Devem ser compreendidas.

E, quando não fazem mal a ninguém, podem até ser alimentadas pelas coisas que nos dão prazer.

Caminhei sem pressa.

Londres parecia mais quieta do que de costume.

Talvez a cidade tivesse mudado.

Talvez eu tivesse mudado.

Ou talvez fosse simplesmente a influência de Maggy.

Desde que eu a conhecera, cada rua parecia contar uma história.

Cada prédio parecia guardar uma memória.

Cada esquina da cidade parecia pertencer a alguém que já não estava lá.

Pela primeira vez, eu não estava visitando Londres.

Eu a estava escutando.

E, ao atravessar Piccadilly Circus, entre as luzes, os turistas e os velhos fantasmas da minha juventude, soube que aquele não era um dia de descanso.

Era simplesmente o intervalo entre uma lição e a próxima.

Porque no dia seguinte eu veria minha tia de novo.

E com ela, muito provavelmente, mais um pedaço de uma história que ninguém havia ainda terminado de contar.


Ferdinando
Gillette Man ⚔️

PDF ← A SAGA WILKINSON SWORD

Explore the Other Sagas

Library · Vatican · Genesis · Opera

← Return to Main