A SAGA WILKINSON SWORD · Edição Brasileira · Nº 05
FATIAS DE MERCADO
Entre os anos 1960 e 1970, o mercado do barbear ainda se limitava em grande parte às lâminas tradicionais, e cada fabricante tentava fazer o melhor que podia.
A indústria havia passado da propaganda à persuasão, e daí para o que só se poderia chamar de imitação por encomenda. Toda empresa seguia a mesma regra não escrita.
Se você quisesse vender mais de um único produto, o marketing sempre sugeria a mesma solução: Troque a roupa. Troque o nome. O corpo continua o mesmo.
No entanto, às vezes uma única palavra bastava para criar um vínculo emocional com os consumidores.
Foi exatamente o que aconteceu com as Lâminas Bolzano.
A Siderúrgica de Bolzano começou a fabricar lâminas de barbear com o nome Falco Blade, que mais tarde evoluiu para a famosa Bolzano Blade.
Dois milhões de lâminas por mês eram produzidas por um efetivo de 350 funcionários, a maioria mulheres. E isso não era coincidência.
Há também um detalhe político raramente mencionado.
A fábrica foi criada seguindo uma política direta do governo de Mussolini para incentivar o desenvolvimento industrial em Bolzano e promover a italianização do Tirol do Sul, um território adquirido após a Grande Guerra, mas habitado em grande parte por comunidades de língua alemã.
As Lâminas Bolzano eram, portanto, mais do que um produto industrial.
Eram também um instrumento de identidade nacional.
O slogan publicitário deixava pouca margem para interpretação: — Bolzano Blade, faça a barba à italiana.
O boom econômico do pós-guerra virou também um boom para a marca. A Bolzano tornou-se um dos símbolos do consumo de massa italiano.
Então vieram os anos 1970.
Chegaram os aparelhos descartáveis.
Começou o declínio.
A marca lutou para se adaptar, até que se fez uma última tentativa.
Um comunicado de imprensa declarava com orgulho: — A BOLZANO BLADE é a fornecedora oficial da Wilkinson Sword de Londres.
Os jornalistas italianos correram para cobrir o anúncio.
Foi uma bomba explodindo depois que a guerra já havia terminado.
As consequências chegaram de imediato.
Uma jornalista conduziu a entrevista com notável habilidade.
Depois de preparar o terreno com cuidado, perguntou ao diretor-geral: — No número de lâminas que os senhores afirmam vender, estão incluídas também as facas?
O executivo ficou perplexo.
— Por que a senhora me pergunta isso?
A jornalista respondeu: — Para que o senhor possa usar uma delas para cortar toda essa lorota que está nos contando.
A sala caiu na gargalhada.
A Wilkinson nunca respondeu.
Como era seu estilo.
Uma tia aristocrática de origem nobre, que preferia não comer italianos apenas para não ter de digeri-los depois.
Hoje, pouco resta daquela grande aventura industrial.
Uma rotatória.
Uma placa.
Algumas memórias que se apagam.
E as lorotas de que os italianos — eu em primeiro lugar — continuamos orgulhosamente afeiçoados.
Via UK Ferdinando
Ferdinando
Gillette Man ⚔️