A SAGA WILKINSON SWORD · Edição Brasileira · Nº 08
LADY WILKINSON SWORD
SENHORITA WILKINSON — A DAMA DE AÇO • Ferdinando Frega Lady Wilkinson Sword
A vida nunca é uma coleção de oportunidades.
A vida é uma única oportunidade que não vem duas vezes.
Foi assim comigo.
Durante meus anos na Maçonaria italiana, reconhecida em seus rituais e tradições pela Grande Loja Unida da Inglaterra, tive a oportunidade de participar de um encontro bastante incomum.
Eu já estava no Terceiro Grau, e no entanto cheguei com a mentalidade certa: a de um Aprendiz.
Não foi uma reunião ritual.
Não havia aventais, nem símbolos, nem palavras a decorar.
Foi simplesmente um jantar.
Um jantar em Londres.
Uma daquelas noites que parecem comuns enquanto as vivemos e só se tornam extraordinárias muitos anos depois, quando enfim compreendemos seu significado.
Londres tinha seu charme de sempre.
A história parecia debruçar-se de cada prédio.
A Coroa.
A City.
Os clubes privados.
As instituições.
As tradições que sobrevivem mais tempo do que os homens que as criaram.
Foi por meio de minhas experiências profissionais anteriores dentro da Gillette, e naqueles lugares, que encontrei, quase por acaso, uma história muito mais antiga do que eu mesmo.
Uma história que não pertencia à Maçonaria.
Nem pertencia aos negócios.
Pertencia à Inglaterra.
Seu nome era Wilkinson Sword.
Ou talvez fosse mais exato chamá-la de: Lady Wilkinson Sword.
Porque algumas empresas geram lucros.
Outras criam história.
Ela havia feito as duas coisas.
Seu sotaque era inglês, seus modos elegantes, seu estilo refinado.
Ela sorria através dos anos que carregava.
Sabia que já não era jovem.
Perdera a leveza da juventude, mas não a clareza da mente.
Seu intelecto continuava forte.
Suas ideias continuavam afiadas.
Sempre que falava comigo, usava aquele tom quase romântico de um velho gato ronronando junto à lareira, e sempre pronunciava meu nome com uma leve imperfeição: — Fernando…
Ela nunca precisou de apresentação.
Bastava-lhe entrar na sala.
Carregava consigo o peso da história.
Vivera guerras, reis, rainhas, revoluções industriais, aquisições e reuniões de conselho.
Vira homens ficarem ricos.
Vira impérios desaparecerem.
Vira gestores convencidos de que eram imortais.
E, ainda assim, ela continuava ali.
Elegante.
Silenciosa.
Britânica.
Naquele momento, compreendi que algumas empresas não são empresas coisa nenhuma.
São instituições.
Algumas pertencem aos acionistas.
Outras pertencem à história.
Lady Wilkinson Sword pertencia às últimas.
E eu começava a pertencer, só um pouco, também a ela.
Ferdinando
Gillette Man ⚔️