Gillette: o custo de uma geração

Gillette: The Cost of a Generation — The First Blade, My Gillette, chapter 14

A PRIMEIRA LÂMINA, MINHA GILLETTE · Edição brasileira  ·  N.º 14

GILLETTE: O CUSTO DE UMA GERAÇÃO


Hoje não foi um dia como os outros. Foi um intervalo de tempo em que chorei a ausência do meu pai. Refleti, pensei no meu avô e, em pensamento, fiz aos dois uma única pergunta: por que vocês me deixaram sozinho para proteger o legado da família Frega e transformar seu nome numa geração?

Minha nora, Sharon, me ofereceu o ombro para chorar. Ela me consolou, ciente de que o que eu tinha pela frente não era nem uma tarefa fácil nem uma tarefa complexa, nem um lance de gênio nem um ato de criatividade, mas, na verdade, uma missão impossível. E, àquela altura, eu mesmo já tinha me dado conta disso.

Eu sentia que tinham me confiado a tarefa de levá-lo adiante, a começar pelas agruras da vida do meu avô, mineiro por quarenta anos, e da vida do meu pai, vendedor por quarenta anos. Quanto a mim, eu tinha dedicado dezoito anos da minha vida profissional a uma mãe que sempre admirei e respeitei, e de quem recebi todas as lições que uma vida inteira pode oferecer: as lições necessárias para me tornar quem sou hoje, embora eu não faça ideia de quem vou me tornar amanhã.

Ela é a Mãe GILLETTE.

Então senti de novo no ombro aquela mão familiar, a que me guia e me empurra para coisas inimagináveis: um áudio no site, depois dois para fazer os primeiros testes, depois cinco para ver se o sistema aguentava, depois dez, em vários idiomas, para falar com as pessoas.

E por que tudo isso?

A América era a minha casa, embora neste momento eu ainda não tenha escolhido um destino preciso. A França tinha sido a casa da família do Vovô Camp.
A Índia era a terra natal do líder global da marca, um pioneiro na esteira de tantos americanos antes dele.
O Brasil, por sua vez, tinha oferecido a melhor mulher que podia dar, ajudando a transformar uma marca nascida para os homens e a eles dedicada num verdadeiro reconhecimento das mulheres, depois de cento e trinta anos de história. Afinal, são quase sempre as mulheres que decidem as compras, e sem elas nada disso teria sido possível hoje.
E, por fim, a Itália, com seus bandolins e violões, os instrumentos mais queridos para as serenatas sob as sacadas, feitas a pedido dos apaixonados. E os regentes dessas serenatas eram sempre os mesmos dois homens: meu pai e meu avô.

Os inesquecíveis Frega.

Olhei as fotografias deles e continuei chorando. Por sorte, eu estava sozinho, porque as visitas tinham ido para a praia.

Então veio a surpresa do dia: colocar um vídeo meu de oito minutos, sem áudio, na página Contato.

Mas o que isso significava?
Não consegui entender, e talvez não entenda de imediato. Mas tenho certeza de que vou entender mais tarde, como costuma acontecer.

Enquanto isso, abandonei a música do YouTube que me acompanhou durante anos à escrivaninha, e a partir de hoje ouço a música do meu próprio site. Ela se tornou estranhamente familiar, como se eu sempre a tivesse conhecido, quase como se eu quisesse me convencer de que é um hino dedicado aos que já não estão aqui.


Adeus, meus velhos.
Ferdinando

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