MULHERES P&G QUE NUNCA PEDIRAM LICENÇA
P&G SAGA · 07
Um documento-testemunho. Escrito antes de saber.
Elas nasceram entre 1985 e 1997, no Rio, em São Paulo, Salvador, Recife, Brasília, Fortaleza.
Nunca pediram licença para existir.
Parte I · Oportunismo
Rafaela — Rio, 1985. Ela diz que a sorte só chega para quem sabe vesti-la direito.
Juliana — Rio, 1986. Ela sorri como se estivesse agradecida, mas está só calculando o próximo lance.
Marina — São Paulo, 1993. Ela sabe que o oportunismo, quando bem dosado, se parece muito com inteligência.
Parte II · Beleza e medicina
Juliana — Salvador, 1986. Ela não chama o cirurgião de “doutor”. Chama de “artista”.
Larissa — São Paulo, 1989. Ela acredita que a cirurgia é uma oração dirigida ao espelho.
Larissa — Rio, 1997. Ela diz que a cirurgia estética é o único campo em que as brasileiras mandam de verdade.
Parte III · Dinheiro, sucesso e favelas
Paula — São Paulo, 1990. Criada numa favela, hoje é dona de três butiques. Mas ainda fala com os olhos de quem sabe contar o pão.
Juliana — Salvador, 1996. Trocou a sua rua de terra pelo mármore, mas ainda anda com cuidado.
Parte IV · Filhos e homens dessacralizados
Juliana — Rio, 1990. Ela diz que o pai dos seus filhos é um parêntese útil na biografia.
Larissa — Rio, 1997. Ela diz que o amor masculino é sazonal. O materno, climático.
Reflexão final
Quando Vasco da Gama pôs os pés naquelas praias, achou que tinha encontrado uma nova rota.
Não sabia que o verdadeiro milagre não era a terra, mas quem a habitava.
No Brasil, a mulher não é conquista. É horizonte.
Não pertence a ninguém, nem a si mesma — muda de forma, de voz, de destino — e continua sempre no centro.
Vasco acreditou ter descoberto um continente.
Na realidade, tinha apenas encontrado a fêmea redimida — aquela que cria e destrói com a mesma graça, que domina sem levantar a voz, que transforma a sobrevivência em beleza e a beleza em poder.
Desde então, o Brasil nunca foi um lugar.
Tem sido uma mulher que resiste ao tempo, vestida de sol, fé e ironia.
Escrito por Ferdinando Frega — Publicado em 26 de junho de 2026
Este documento foi escrito antes de 1º de julho de 2026.
Antes de saber que a primeira CEO mulher da Gillette seria brasileira.
Isto não é coincidência. É a narrativa chegando antes da notícia.
Para Juliana Azevedo — bem-vinda a uma história que já estava à sua espera.
Nota do autor
Tudo nasce de uma mulher — a história nos ensina isso. Tudo muda por causa de uma mulher. E tudo acaba por causa de uma mulher, no momento em que ela vai embora. São três movimentos relacionais e sociais. As três lâminas que governam o mundo. Minha mãe está orgulhosa.
Ferdinando · Nando, o Escriba
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